| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Columbiformes |
| Família: | Columbidae |
| Leach, 1820 | |
| Subfamília: | Claravinae |
| Richmond, 1917 | |
| Espécie: | C. cyanopis |
A rolinha-do-planalto é uma ave Columbiforme da família Columbidae. Também conhecida como rolinha de janeiro, rolinha-brasileira ou pombinha-olho-azul.
Descoberta em 1823, a ave só foi vista novamente em 1904 e, depois, em 1941. Desde então sua presença nunca mais foi registrada.
Sendo uma das aves mais raras do mundo, foi “redescoberta” em 2015, contabilizando, na ocasião, aproximadamente 12 espécimes. Observada pouquíssimas vezes, a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis) tinha o último registro comprovado há 74 anos e já era considerada extinta por muitos especialistas.
Mais exatamente em junho de 2015, o animal foi avistado quase por acaso pelo ornitólogo Rafael Bessa, durante uma expedição pelo Cerrado. Ele conta que, ao fazer um trabalho em uma região isolada, procurava um atalho para uma outra área quando se deparou com um local particularmente bonito, que tinha aspecto diferente do restante do Cerrado. Resolveu fazer uma parada e, ali, ouviu um canto desconhecido.
“Na manhã seguinte, voltei ao lugar e consegui gravar essa vocalização com meu microfone. Reproduzi o som e a ave veio em minha direção, pousando em um arbusto no meio da florada. Fotografei o animal e, quando olhei a foto com atenção, no visor da câmera, vi que tinha registrado algo incomum. Minhas pernas começaram a tremer”, disse Bessa em entrevista ao Estado em 2016.
Bessa ainda não sabia, mas tinha tirado a primeira foto da rolinha-do-planalto na História: o animal só era conhecido a partir de espécimes coletados no século passado e taxidermizados (empalhados) em museus. O ornitólogo conta que correu para o hotel onde estava hospedado e entrou imediatamente em contato com o pesquisador Luciano Lima, do Observatório de Aves do Instituto Butantan.
A partir daí, os pesquisadores começaram a reunir informações sobre o animal e conseguiram o apoio do SAVE Brasil, representante da BirdLife International que trabalham pela conservação de aves no país. Eles formaram uma equipe que, além de Bessa e Lima, inclui ornitólogos como Wagner Nogueira, Marco Rego e Glaucia Del-Rio, ambos do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Luisiânia (Estados Unidos).
Além de trabalharem no registro científico da redescoberta, os cientistas elaboraram um plano de conservação, com o objetivo de assegurar a sobrevivência da ave a longo prazo.
Esta espécie é muito rara, com recentes registros em somente três localidades, sugerindo que o total populacional seja extremamente pequeno e severamente fragmentado. Um contínuo declínio é inevitável dadas as rápidas taxas de perda de habitat na região de ocorrência. Este fatores qualificam a espécie como: Criticamente ameaçada.
A destruição massiva do Cerrado Brasileiro é a principal ameaça à existência desta espécie rara. A formação de pastagens para pecuária e agricultura e queimadas anuais são as principais causas da devastação de seu habitat.
Até 2016 existiam oito espécimes da rolinha-do-planalto taxidermizados em museus, sendo dois no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e os demais distribuídos nos Estados Unidos e na Europa.
Até meados de 2020 a população era em torno de 25 animais.
No início da temporada reprodutiva 2022/2023 2 ovos foram coletados, dentro de um programa de reprodução ex-situ, e incubados artificialmente. Após o nascimento, os dois filhotes foram encaminhados aos cuidados do Parque das Aves em Foz do Iguaçú-PR, onde prevê-se a reprodução em cativeiro da espécie e posterior reintrodução de indivíduos na natureza.
Seu nome científico significa: do (latim) columbina = referente à família Columbidae; e do (grego) kuanos = lapis lazuli, da cor azul; e öps, öpos = olhos. ⇒ Pombinha de olhos azuis.
É um pequeno columbídeo com tamanho entre 15,5 e 17 centímetros de comprimento e cor predominantemente castanha.
Apresenta cabeça, pescoço e nuca de coloração castanho-avermelhada. O peito é castanho. O ventre também é castanho, porém apresenta esta coloração diluída. Crisso e penas subcaudais são brancos. O dorso é marrom e suas asas são acastanhadas, apresentando marcações em tonalidade azul-cobalto metálico sobre as coberteiras marrom-acastanhadas. As rêmiges primárias são marrom-acinzentadas e mais escuras que as rêmiges secundárias. O uropígio é marrom e as penas supracaudais são longas e castanho-avermelhadas, da mesma coloração apresentada na cabeça da ave. As retrizes são escuras, de coloração marrom-acinzentada e apresentam na porção terminal da face inferior uma estreita borda de coloração clara.
Os olhos são pequenos, como é característico das aves do gênero Columbina, e possuem coloração azul-escura conspícua. Bico cinza enegrecido, tarsos e pés rosados.
As cores da fêmea são mais claras, principalmente nas partes inferiores.
As crias apresentam manchas amareladas nas asas. Espécie afim: rolinha-roxa (Columbina talpacoti).
Espécie monotípica (não são reconhecidas subespécies).
(Clements checklist, 2014).
É uma ave granívora.
A partir do ano 2020 a equipe da SAVE Brasil focou esforços no monitoramento dos territórios, buscando por sinais de reprodução dos casais. A campanha contou com o apoio do consultor especialista em ninhos, Tony Bichinski. A união entre o aprendizado obtido pela SAVE Brasil e a experiência de Tony foram responsáveis pelo avistamento de 4 ninhos ativos em 2020. Um destes ninhos continha dois ovos e foi filmado com o uso de sondas endoscópicas (boroscópio), permitindo pela primeira vez acompanhar de perto o comportamento da espécie durante a incubação.
Três eventos de cópulas foram observados, além de um filhote visto sendo alimentado pelos seus pais. Os resultados são animadores e tem ajudado a equipe a entender os motivos raridade da espécie, o que é fundamental para ações de seu manejo futuro. Além disso ainda não se conhecem mais dados de reprodução desta espécie.
Aparentemente habita campos sujos, campos cerrados e cerrados. Em Botumirim/MG habita campos rupestres.
O ambiente onde foi encontrada a ave, em Minas Gerais, é bastante especial, é um ambiente associado a afloramentos rochosos, mais baixo, mais arbustivo que outras partes do Cerrado, com solo bastante pedregoso e arenoso, e a vegetação é bem fechada na área onde vive a rolinha-do-planalto.
O fato da espécie só ser encontrada nesse ambiente especial sugere que sua raridade se deve ao fato dela estar associada a um micro-habitat bastante específico.
O ambiente onde foi encontrada a rolinha-do-planalto talvez seja tão raro quanto o próprio animal. Talvez a maior parte das áreas do Cerrado onde se encontra esse tipo de ambiente já tenha sido devastada - o que explicaria o fato da ave ter ficado sem registros por tanto tempo.
É uma ave endêmica do Cerrado. Conhecida originalmente de cinco espécimes coletados no Mato Grosso (arredores de Cuiabá) em 1823-1825, foi posteriormente encontrada em Itapura, São Paulo, em 1904 (um espécime) e no sudeste de Goiás em 1940-1941 (dois espécimes). Uma pequena população, com até 12 aves, foi descoberta em junho de 2015 pelo ornitólogo Rafael Bessa na mata que cerca a cidade de Botumirim, a 170 quilômetros de Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Os dados de biologia obtidos a partir dessa redescoberta desafiam por completo alguns alegados registros recentes para Mato Grosso (década de 1980), em campo de arroz, e Mato Grosso do Sul, no campus da UFMS e em companhia de Columbina talpacoti. Relatos de que ocorre na Serra das Araras, Mato Grosso, são desprovidos de comprovação e, embora menos improváveis do que os anteriores, são igualmente sujeitos a questionamentos.
Consulta bibliográfica sobre subespécies: